Atividade Física e Doenças Reumáticas: O Guia de Exercícios para Manter a Mobilidade
- Dr. Luiz Sérgio Guedes

- 28 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Se você vive com uma doença reumática, como Artrite Reumatoide, Fibromialgia ou Espondilite Anquilosante, é provável que, em momentos de dor, a ideia de se exercitar pareça impossível. É comum o medo de piorar a inflamação ou causar mais danos às articulações.
No entanto, a ciência é clara: a atividade física regular é um dos pilares mais importantes no manejo dessas condições. O movimento, quando feito corretamente, é um poderoso medicamento.
Descubra neste guia por que você deve se exercitar e quais são os melhores tipos de exercícios para manter a mobilidade e melhorar sua qualidade de vida.
O Movimento é Seu Aliado: Os Benefícios do Exercício
Parar de se mover por medo da dor pode levar a um ciclo vicioso: a inatividade enfraquece os músculos, o que sobrecarrega ainda mais as articulações, aumentando a dor e a rigidez.
A atividade física, por outro lado, oferece benefícios cruciais:
Redução da Inflamação: Exercícios de baixo impacto têm um efeito anti-inflamatório sistêmico no corpo.
Fortalecimento Muscular: Músculos fortes protegem as articulações, atuando como "amortecedores" naturais e diminuindo o estresse sobre ossos e cartilagens.
Aumento da Mobilidade e Flexibilidade: Combate a rigidez e melhora a amplitude de movimento das articulações.
Melhora do Humor e Qualidade do Sono: Ajuda a combater a fadiga e a depressão, sintomas comuns em doenças crônicas como a Fibromialgia.
Controle de Peso: Manter um peso saudável é vital para reduzir a carga sobre joelhos, quadris e coluna.
O Guia de Exercícios: Três Pilares Essenciais
O programa ideal de exercícios para quem tem doença reumática deve incluir três tipos principais de atividades: alongamento, aeróbicos e fortalecimento.
1. Exercícios de Alongamento e Flexibilidade
São essenciais para reduzir a rigidez e aumentar a amplitude de movimento, especialmente pela manhã.
O que fazer: Alongamentos estáticos suaves (segurar a posição por 15 a 30 segundos) e exercícios de Tai Chi Chuan ou Yoga (adaptados para evitar hiperextensão).
Melhor momento: Diariamente, após um aquecimento leve (como um banho quente), e ao final da sessão de exercícios.
Regra de Ouro: Não force o alongamento até o ponto de dor aguda. O alongamento deve ser suave e nunca brusco.
2. Exercícios Aeróbicos (Condicionamento)
Melhoram a saúde cardiovascular, ajudam no controle de peso e aumentam a energia, tudo com baixo impacto.
O que fazer:
Caminhada: Comece com sessões curtas (10-15 minutos) e aumente gradualmente. Use tênis confortáveis.
Natação e Hidroginástica: A água suporta o peso do corpo, diminuindo o estresse nas articulações. É considerada uma das melhores opções.
Bicicleta Ergométrica: Oferece um movimento suave e controlado.
Frequência ideal: Pelo menos 3 a 5 vezes por semana.
3. Exercícios de Fortalecimento (Resistência)
Esses exercícios constroem massa muscular para proteger as articulações.
O que fazer:
Exercícios com peso corporal: Sentar e levantar da cadeira, flexões na parede.
Pesos leves ou elásticos: Usar halteres leves ou faixas elásticas de baixa resistência.
Pilates: Excelente para fortalecer o core (músculos centrais) e melhorar a postura, o que alivia a pressão na coluna e nos quadris.
Frequência ideal: 2 a 3 vezes por semana, com descanso de 1 dia entre as sessões.
Dicas de Segurança: Exercite-se Sem Piora
A chave para o sucesso é o equilíbrio e o bom senso.
Priorize o Repouso durante Crises: Se a dor estiver muito intensa, inicie apenas alongamentos suaves. Não faça exercícios aeróbicos ou de fortalecimento em uma articulação inchada ou em crise aguda.
Aquecimento e Resfriamento: Sempre comece com 5 a 10 minutos de aquecimento (movimentos leves) e termine com 5 a 10 minutos de alongamento e relaxamento.
Escute Seu Corpo: Dor aguda ou súbita durante o exercício é um sinal de alerta. Pare imediatamente. Uma dor muscular leve e esperada após o treino é normal; dor articular forte e persistente não é.
Converse com Seu Médico: Sempre consulte seu Reumatologista e, se possível, um fisioterapeuta ou educador físico especializado em doenças reumáticas antes de iniciar qualquer novo programa. Eles podem adaptar os exercícios à sua condição específica.
Mover-se não é apenas possível; é essencial para viver melhor com sua condição. Comece devagar e celebre cada pequeno avanço na sua mobilidade!




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